Flamengo x Vasco fora de campo

A briga Bap x Pedrinho na Justiça

O presidente do Flamengo processa o do Vasco por ter sido chamado de “mau-caráter” e “hipócrita”. A Justiça negou o pedido de desculpas imediato, Pedrinho diz que só deu sua opinião, e Bap rebateu.

Bap, presidente do Flamengo, de suéter azul, olhando para o lado Quem processa
Bap Presidente do Flamengo desde janeiro de 2025
Pedrinho, presidente do Vasco, de jaqueta preta, no gramado É processado
Pedrinho Presidente do Vasco desde janeiro de 2024

Fotos: Jorge Rodrigues e Fabio Giannelli/AGIF

Resumo rápido

O caso
Bap processa Pedrinho por ter sido chamado de “mau-caráter” e “hipócrita” diante da imprensa, em 19 de agosto
O pedido
Pelo menos R$ 40 mil e um pedido público de desculpas
Como está
Em andamentoLiminar negada; defesa e réplica já apresentadas; ainda sem sentença
  1. Bap processa
  2. Juíza nega liminar
  3. Pedrinho se defende
  4. Bap rebate

A origem

Como a briga começou

Em 18 de agosto, o Flamengo pediu à Anresf, agência que fiscaliza as finanças dos clubes, que avaliasse os gastos do Vasco, que está em recuperação judicial e seguiu investindo no elenco. No dia seguinte, questionado pela imprensa no embarque do time para o Paraguai, Pedrinho mirou o presidente rival:

“Vou falar da pessoa Bap. Zero instituição, tá? Estou falando do Bap especificamente. É mau-caráter, arrogante, prepotente, soberbo e hipócrita.”
Pedrinho, em 19 de agosto de 2026

Mais adiante na entrevista, chamou Bap de irresponsável. São seis palavras no centro da ação:

A rivalidade vinha de antes

Segundo a defesa de Pedrinho:

  1. Em áudio de reunião do conselho do Flamengo, revelado pela ESPN, Bap questiona o empréstimo da Crefisa ao Vasco.

  2. Bap volta ao tema: “Quem poderia pedir ações da SAF como garantia? Talvez quem queira assumir a SAF do Vasco”. Pedrinho diz que a insinuação põe em dúvida o caráter dele, do técnico e dos jogadores.

  3. Bap diz que irá à Justiça se a venda da SAF do Vasco for concretizada, e o Flamengo aciona a Anresf sobre a operação.

Lance 1 · 25 de agosto · Bap

O pedido: dinheiro e desculpas

R$ 40 mil

de indenização, no mínimo

48 horas

para Pedrinho se desculpar em público

R$ 10 mil

de multa por descumprimento, até R$ 150 mil

Bap dispensou a tentativa de acordo e anexou à ação o texto pronto das desculpas. Pedrinho teria de publicá-lo nos mesmos canais em que falou, inclusive nas redes sociais, e mantê-lo no ar sem prazo para sair. Um trecho:

Trecho da carta de retratação proposta por Bap

Naquela oportunidade, referi-me à sua pessoa como “mau-caráter”, “arrogante”, “prepotente”, “soberbo”, “hipócrita” e “irresponsável”. Reconheço que tais expressões não descrevem a conduta do Senhor Luiz Eduardo Baptista, não se referem a fato algum e ultrapassaram os limites do debate legítimo entre dirigentes de clubes de futebol.

Retiro integralmente as referidas expressões e apresento ao Senhor Luiz Eduardo Baptista as minhas desculpas públicas, com a mesma projeção que as declarações originais alcançaram.

Divergências quanto a atos de gestão e a posições institucionais entre clubes são próprias da atividade que exercemos e devem ser resolvidas nos foros próprios, sem que se atinja a honra pessoal de quem quer que seja.

A ação pede que o texto seja publicado “sem inserção de comentários, ressalvas, ironias ou qualificações adicionais”.

  1. O ataque foi pessoal, e anunciado.Ao dizer “zero instituição”, o próprio Pedrinho separou a pessoa do clube.
  2. Criticar uma decisão não é atacar o caráter.Para Bap, Pedrinho não rebateu os números levados à Anresf; foi direto à índole do rival.
  3. Já houve condenações parecidas.A ação cita indenizações de R$ 50 mil a Wagner Moura e Gregório Duvivier.
16veículos reproduziram a fala em 48 horas
88 milinterações em seis posts
0pedidos de desculpas até a ação

Números apresentados pela defesa de Bap.

Lance 2 · 26 de agosto · Justiça

A juíza nega as desculpas imediatas

Um dia depois da ação, a juíza Claudia Leonor Jourdan Gomes Bobsin recusou a liminar, a decisão provisória que obrigaria Pedrinho a se retratar antes mesmo de se defender.

Liminar negadaDecisão de 26/08/2026
A favor de Bap
  • As declarações foram feitas e tiveram grande repercussão.
  • Há indícios de que Pedrinho mirou a pessoa, não o clube.
Por que negou
  • Não havia urgência para decidir sem ouvir Pedrinho.
  • Desculpas públicas não podem ser desfeitas se Bap perder.

Lance 3 · 5 de outubro · Pedrinho

A defesa: foi opinião, não ofensa

Pedrinho não nega o que disse e admite que “a linguagem foi dura”. Mas pede o fim do processo ou a vitória na ação.

  1. O alvo deveria ser o Vasco.Se Bap diz que Pedrinho falou como presidente, em ato oficial, quem responde é o clube.
  2. A fala foi recortada.Logo depois dos adjetivos, ele explicou o motivo: “Está muito claro que é uma perseguição à instituição.”
  3. Opinião não é acusação.Pedrinho não acusou Bap de crime, fraude ou corrupção; “hipócrita” e “soberbo” são avaliações pessoais.
  4. Havia motivo para chamá-lo de hipócrita.Na própria entrevista, Pedrinho explicou o termo: Bap invoca “isonomia” e o “bem do Campeonato Brasileiro” para questionar o Vasco, mas defende com vigor os interesses do Flamengo quando o dinheiro é do clube. O exemplo citado é a Libra: em 2025, o Flamengo foi à Justiça contra o bloco por causa da divisão das receitas de audiência e conseguiu bloquear cerca de R$ 77 milhões que iriam para os outros clubes. O caso terminou em acordo em maio de 2026. A defesa diz que não pede à juíza que declare Bap hipócrita, só que reconheça uma opinião “fundada em fatos públicos”.
  5. Bap também usa linguagem pesada.Em dezembro de 2025, chamou uma jornalista da Globo de “nariguda” na Flamengo TV. Para a defesa, o episódio reforça a acusação de incoerência: quem já usou um termo pessoal depreciativo agora pede indenização por ter recebido um.
  6. Faltam provas.Bap juntou só uma notícia do site do Flamengo, não a notificação à Anresf; e curtidas não provam dano.
  7. Ninguém pode ser obrigado a pensar o que não pensa.A Justiça pode condenar, mas “não pode fabricar arrependimento”.

Lance 4 · 20 de outubro · Bap

A réplica: Pedrinho não nega o que disse

Para Bap, se as palavras são admitidas, só resta decidir se passaram do limite.

  1. Quem fala responde pelo que diz.O cargo explica o alcance da fala, mas não transfere a autoria ao clube.
  2. A “estranheza” com o advogado.Bap aponta que Rafael Faria, advogado que assina a defesa de Pedrinho, é também diretor jurídico do Vasco. É justamente o clube que, segundo a defesa, deveria responder ao processo no lugar do presidente.
  3. Briga antiga não dá licença para ofender.Libra, SAF e Maracanã não estão em julgamento, e fatos posteriores a 19 de agosto não podem ter motivado a fala.
  4. Ofensa à honra não precisa ser acusação de crime.Nem é preciso provar contrato ou patrocínio perdido.

Comparativo

Ponto a ponto

Quem deve responder?

Bap

Pedrinho, que disse as palavras.

Pedrinho

O Vasco, já que falou como presidente.

Ofensa ou opinião?

Bap

Ataque ao caráter, anunciado como pessoal.

Pedrinho

Opinião dura, em debate público.

Desculpas públicas

Bap

Quer, mas aceita versão mais objetiva.

Pedrinho

Recusa. No máximo, divulgar a decisão.

Indenização

Bap

Pelo menos R$ 40 mil.

Pedrinho

Nenhuma; se houver, em patamar “módico”.

Próximos capítulos

E agora?

Provas. A juíza decide se o caso segue contra Pedrinho e o que será analisado, como o vídeo completo da entrevista.

Sentença. Define se houve ofensa, quanto Pedrinho paga e se precisa se retratar.

Recurso. Quem perder pode recorrer ao Tribunal de Justiça do Rio.