Flamengo x Vasco fora de campo
A briga Bap x Pedrinho na Justiça
O presidente do Flamengo processa o do Vasco por ter sido chamado de “mau-caráter” e “hipócrita”. A Justiça negou o pedido de desculpas imediato, Pedrinho diz que só deu sua opinião, e Bap rebateu.
Fotos: Jorge Rodrigues e Fabio Giannelli/AGIF
Resumo rápido
- O caso
- Bap processa Pedrinho por ter sido chamado de “mau-caráter” e “hipócrita” diante da imprensa, em 19 de agosto
- O pedido
- Pelo menos R$ 40 mil e um pedido público de desculpas
- Como está
- Em andamentoLiminar negada; defesa e réplica já apresentadas; ainda sem sentença
- Bap processa
- Juíza nega liminar
- Pedrinho se defende
- Bap rebate
A origem
Como a briga começou
Em 18 de agosto, o Flamengo pediu à Anresf, agência que fiscaliza as finanças dos clubes, que avaliasse os gastos do Vasco, que está em recuperação judicial e seguiu investindo no elenco. No dia seguinte, questionado pela imprensa no embarque do time para o Paraguai, Pedrinho mirou o presidente rival:
“Vou falar da pessoa Bap. Zero instituição, tá? Estou falando do Bap especificamente. É mau-caráter, arrogante, prepotente, soberbo e hipócrita.”Pedrinho, em 19 de agosto de 2026
Mais adiante na entrevista, chamou Bap de irresponsável. São seis palavras no centro da ação:
- mau-caráter
- arrogante
- prepotente
- soberbo
- hipócrita
- irresponsável
A rivalidade vinha de antes
Segundo a defesa de Pedrinho:
Em áudio de reunião do conselho do Flamengo, revelado pela ESPN, Bap questiona o empréstimo da Crefisa ao Vasco.
Bap volta ao tema: “Quem poderia pedir ações da SAF como garantia? Talvez quem queira assumir a SAF do Vasco”. Pedrinho diz que a insinuação põe em dúvida o caráter dele, do técnico e dos jogadores.
Bap diz que irá à Justiça se a venda da SAF do Vasco for concretizada, e o Flamengo aciona a Anresf sobre a operação.
Lance 1 · 25 de agosto · Bap
O pedido: dinheiro e desculpas
de indenização, no mínimo
para Pedrinho se desculpar em público
de multa por descumprimento, até R$ 150 mil
Bap dispensou a tentativa de acordo e anexou à ação o texto pronto das desculpas. Pedrinho teria de publicá-lo nos mesmos canais em que falou, inclusive nas redes sociais, e mantê-lo no ar sem prazo para sair. Um trecho:
Naquela oportunidade, referi-me à sua pessoa como “mau-caráter”, “arrogante”, “prepotente”, “soberbo”, “hipócrita” e “irresponsável”. Reconheço que tais expressões não descrevem a conduta do Senhor Luiz Eduardo Baptista, não se referem a fato algum e ultrapassaram os limites do debate legítimo entre dirigentes de clubes de futebol.
Retiro integralmente as referidas expressões e apresento ao Senhor Luiz Eduardo Baptista as minhas desculpas públicas, com a mesma projeção que as declarações originais alcançaram.
Divergências quanto a atos de gestão e a posições institucionais entre clubes são próprias da atividade que exercemos e devem ser resolvidas nos foros próprios, sem que se atinja a honra pessoal de quem quer que seja.
A ação pede que o texto seja publicado “sem inserção de comentários, ressalvas, ironias ou qualificações adicionais”.
- O ataque foi pessoal, e anunciado.Ao dizer “zero instituição”, o próprio Pedrinho separou a pessoa do clube.
- Criticar uma decisão não é atacar o caráter.Para Bap, Pedrinho não rebateu os números levados à Anresf; foi direto à índole do rival.
- Já houve condenações parecidas.A ação cita indenizações de R$ 50 mil a Wagner Moura e Gregório Duvivier.
Números apresentados pela defesa de Bap.
Lance 2 · 26 de agosto · Justiça
A juíza nega as desculpas imediatas
Um dia depois da ação, a juíza Claudia Leonor Jourdan Gomes Bobsin recusou a liminar, a decisão provisória que obrigaria Pedrinho a se retratar antes mesmo de se defender.
- As declarações foram feitas e tiveram grande repercussão.
- Há indícios de que Pedrinho mirou a pessoa, não o clube.
- Não havia urgência para decidir sem ouvir Pedrinho.
- Desculpas públicas não podem ser desfeitas se Bap perder.
Lance 3 · 5 de outubro · Pedrinho
A defesa: foi opinião, não ofensa
Pedrinho não nega o que disse e admite que “a linguagem foi dura”. Mas pede o fim do processo ou a vitória na ação.
- O alvo deveria ser o Vasco.Se Bap diz que Pedrinho falou como presidente, em ato oficial, quem responde é o clube.
- A fala foi recortada.Logo depois dos adjetivos, ele explicou o motivo: “Está muito claro que é uma perseguição à instituição.”
- Opinião não é acusação.Pedrinho não acusou Bap de crime, fraude ou corrupção; “hipócrita” e “soberbo” são avaliações pessoais.
- Havia motivo para chamá-lo de hipócrita.Na própria entrevista, Pedrinho explicou o termo: Bap invoca “isonomia” e o “bem do Campeonato Brasileiro” para questionar o Vasco, mas defende com vigor os interesses do Flamengo quando o dinheiro é do clube. O exemplo citado é a Libra: em 2025, o Flamengo foi à Justiça contra o bloco por causa da divisão das receitas de audiência e conseguiu bloquear cerca de R$ 77 milhões que iriam para os outros clubes. O caso terminou em acordo em maio de 2026. A defesa diz que não pede à juíza que declare Bap hipócrita, só que reconheça uma opinião “fundada em fatos públicos”.
- Bap também usa linguagem pesada.Em dezembro de 2025, chamou uma jornalista da Globo de “nariguda” na Flamengo TV. Para a defesa, o episódio reforça a acusação de incoerência: quem já usou um termo pessoal depreciativo agora pede indenização por ter recebido um.
- Faltam provas.Bap juntou só uma notícia do site do Flamengo, não a notificação à Anresf; e curtidas não provam dano.
- Ninguém pode ser obrigado a pensar o que não pensa.A Justiça pode condenar, mas “não pode fabricar arrependimento”.
Lance 4 · 20 de outubro · Bap
A réplica: Pedrinho não nega o que disse
Para Bap, se as palavras são admitidas, só resta decidir se passaram do limite.
- Quem fala responde pelo que diz.O cargo explica o alcance da fala, mas não transfere a autoria ao clube.
- A “estranheza” com o advogado.Bap aponta que Rafael Faria, advogado que assina a defesa de Pedrinho, é também diretor jurídico do Vasco. É justamente o clube que, segundo a defesa, deveria responder ao processo no lugar do presidente.
- Briga antiga não dá licença para ofender.Libra, SAF e Maracanã não estão em julgamento, e fatos posteriores a 19 de agosto não podem ter motivado a fala.
- Ofensa à honra não precisa ser acusação de crime.Nem é preciso provar contrato ou patrocínio perdido.
Comparativo
Ponto a ponto
Quem deve responder?
Pedrinho, que disse as palavras.
O Vasco, já que falou como presidente.
Ofensa ou opinião?
Ataque ao caráter, anunciado como pessoal.
Opinião dura, em debate público.
Desculpas públicas
Quer, mas aceita versão mais objetiva.
Recusa. No máximo, divulgar a decisão.
Indenização
Pelo menos R$ 40 mil.
Nenhuma; se houver, em patamar “módico”.
Próximos capítulos
E agora?
Provas. A juíza decide se o caso segue contra Pedrinho e o que será analisado, como o vídeo completo da entrevista.
Sentença. Define se houve ofensa, quanto Pedrinho paga e se precisa se retratar.
Recurso. Quem perder pode recorrer ao Tribunal de Justiça do Rio.